Desde março, os cemitérios da cidade de São Paulo foram privatizados e os preços que envolvem os funerais aumentaram 400% em média e ficou mais difícil obter o sepultamento social.
Aumentos para a população mais pobre
Serviço |
Preço Atual |
Preço antes da Privatização |
Aumento |
Velório simples |
R$ 1.443,74 |
R$299,85 |
400% |
Caixão básico |
R$ 672,17 |
147,14 |
464%. |
Taxas de sepultamento |
R$ 101,35 |
R$ 17,94 |
564% |
Itens litúrgicos |
R$ 68,84 |
R$ 5,83 |
1.080% |
Um velório com itens básicos está na faixa de R$7000,00 desde a privatização e ficou mais difícil buscar isenções ou enterro social.
R$1000,00 em cobranças indevidas
Há relatos na imprensa de concessionários que estão incluindo no preço a tanatopraxia, usado para preservar a aparência do cadáver, mesmo quando não seja necessária.
Obrigam a família a pagar, em um momento em que todos estão emocionalmente frágeis.
Caixão dos mais ricos diminuiu de preço
Para as famílias de maior poder aquisitivo, houve redução de valores. O caixão mais caro fornecido pelo município caiu de R$5.584,71 para R$2.863,78. Economia de 51% a quem já está mais protegido financeiramente.
O que aconteceu para aumentar tanto
A prefeitura da cidade de São transferiu em 06 de Março de 2023 para empresas particulares a administração dos 22 cemitérios da capital pelos próximos 25 anos.
O primeiro impacto sentido pela população foi o aumento de preços médio de 400% de tudo relacionado a sepultamento. Por todos os 4 blocos que receberam as concessões.
E quem não dinheiro na hora para pagar
A prefeitura emite um boleto com prazo de 60 dias para pagamento. Se o familiar não pagar, perde demais direitos funerários, como ter uma sepultura em cemitérios públicos.
Ficou mais difícil conseguir enterro grátis
A lei de concessão prevê que famílias com renda de meio salário mínimo por pessoa. Ocorre que o direito à gratuidade só é concedido a quem apresentar o CadÚnico, número para ter direito a programas sociais.
Ocorre que nem todas as pessoas de baixa renda que perdem alguém estão inscritas no programa e pode levar meses até conseguir cadastro, ficando sujeitas às taxas, mesmo sendo pobres.
Outras gratuidades previstas em lei
- Morador de rua que esteja inscrito no Sisrua, sistema de monitoramento de pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo. Tem de estar inscrito, senão a família poderá ser acionada e corre o risco de arcar com das despesas
- Doadores de órgãos que a família efetivamente permitiu o procedimento.
- Pessoas que recebem LOAS ou BPC, pois já são comprovadamente pobres e já dispõem de CadÚnico
Famílias endividadas
A Internet foi inundada de reclamações, algumas com humor e outras doloridas. Na maioria delas a questão é : minha família ficará endividada caso eu morra?
Apenas na Cidade de São Paulo, a média é de mais de 300 enterros diários, destes, 80% são pessoas de baixa renda sujeitas a custos que não podem arcar após a privatização de março.
Aumenta a busca por planos funerários
Planos funerários é a opção mais econômica às famílias que não dispõem de milhares de reais no momento da despedida e com valores que cabem nos orçamentos da Classe C. Empresas já correm para dar conta da alta demanda.
Custam a partir de R$0,40/dia para 10 familiares, ou seja, R$0.04 centavos pessoa, e cobrem todas as despesas do sepultamento e ainda fornecem um agente funerário para cuidar dos trâmites burocráticos, liberando a família para a solidariedade mútua que o momento pede.