Se despedir de quem amamos não é das tarefas a mais fácil. A despedida é sempre algo muito doloroso, faz com que muitas pessoas entrem em um profundo estado de depressão. O luto passa a ser algo muito dificil de ser superado e nem sempre o tempo é o suficiente para recomeçar.
A terapia do luto tem como objetivo auxiliar as pessoas a saírem do luto, não necessariamente um luto apenas pela perda de um ente querido, mas o luto no sentido geral da palavra, seja pelo término de um relacionamento, pela de um emprego ou outros fatores.
A terapia do luto ajuda as pessoas que estão vivendo esse momento de fraqueza a encontrem dentro de si novas motivações que as encorajem a viver. A atriz Cissa Guimarães recorreu a terapia do luto após a perda do filho Rafael Mascarenhas em 2015
“Não é um dia após o outro, e sim um minuto após o outro”, contou ela.
A psicologa que auxiliou Cissa durante o período em que ela ficou na terapia afirma que cada um tem o seu tempo para superar o luto.
“Procura-se enfatizar que o sofrimento é único e que ninguém o sentirá da mesma maneira. Cada um manifesta sua dor de um jeito para encontrar um alívio”, conclui.
Embora não seja muito conhecida no Brasil, em outros países como a Inglaterra e Estados Unidos, a terapia do luto é incentivada e une o esforço de terapeutas, psicólogos e psiquiatras que se empenham em contribuir para a recuperação das pessoas que estão enfrentando um momento de luto.
É importante destacar que a morte ainda é um tabu e que os funerais são cerimônias rápidas. Logo, essa falta de preparo faz com que muitas pessoas não saibam lidar com o luto. Geralmente, quando um sentimento é reprimido, ele se torna um problema psicológico, como por exemplo: transtornos de ansiedade, depressão, alteração no sono ou no apetite. Logo, é importante buscar a ajuda de um profissional.
O luto normal apresenta sentimentos inerentes à perda: tristeza, ansiedade, solidão e culpa. Após um ano, esses sintomas se ausentam. O luto patológico apresenta esses mesmos sentimentos com muito mais intensidade, o que dificulta o retorno à vida normal. Entretanto, além dos sintomas já mencionados, há também outros sintomas, tais como: pensamentos suicidas, alucinações, isolamento social, consumo de álcool ou substâncias ilícitas.
O que é a terapia de luto?
É um tratamento no qual um psiquiatra ou um psicólogo ajuda o paciente a vivenciar todos os estágios do luto e a lidar com todos os sentimentos envolvidos. Ao longo desse processo, o paciente aprende a viver sem a presença do ente querido. Fora isso, a terapia auxilia nas questões práticas, tais como, como doar os pertences do falecido, como criar uma rotina nova, como fazer novas amizades.
Como a terapia de luto pode me ajudar?
Confira abaixo quais são os pontos que você pode trabalhar com essa terapia:
- “Botar tudo pra fora!” A terapia do luto facilita a verbalização e a expressão de sentimentos e experiências relacionadas ao que foi perdido.
- Conversar sobre a morte. Diversas vezes, a causa do óbito é algo doloroso (assassinato, suicídio etc.). Ainda que. falar sobre a morte desperte sentimentos e imagens angustiantes, essa ação é fundamental para que se alcance a aceitação
- Entender que a readaptação à vida normal é feita com um passo de cada vez
- Encontrar um propósito de vida para que o futuro seja visto como algo leve e tranquilo.
Eu preciso buscar ajuda?
Não espere o luto chegar ao estado patológico para buscar ajuda. Normalmente, quem está vivenciando a dor da perda, não consegue perceber o próprio comportamento. Sendo assim, fique atento aos comentários e conselhos dos seus familiares e parentes.
Se você notar que um amigo ou familiar está apresentando sinais de constante negação após mais de um ano de luto, o incentive a buscar um profissional.
Independentemente do grau de intensidade do luto, procurar ajuda é sempre uma medida positiva. Afinal, não precisamos lidar com tudo sem a ajuda de alguém. Ser forte não é conseguir fazer tudo sozinho nem esconder as emoções. Ser forte é entender as nossas vulnerabilidades e saber pedir ajuda. O atendimento especializado não tem como objetivo apagar as lembranças que foram vividas ao lado do ente querido, mas sim ensinar o enlutado a seguir em frente, guardando os melhores momentos que tiveram juntos.