O luto pode ser considerado uma sinfonia desafinada de emoções desagradáveis surgindo e sumindo ao mesmo tempo, sendo as principais:
- Dor
- Arrependimento
- Culpa
- Remorso,
- Medo
- Ansiedade
Ocorre que o tema do concerto é sempre o mesmo: a tristeza.
Tristeza companheira
A tristeza é a companheira constante de quem sofre a perda. Mesmo nos dias "bons" (classificamos em uma curva), você a ouve ao fundo, seu volume subindo e descendo, dependendo da atenção que você lhe dá.
Existem maneiras de aliviar as emoções mais torturantes – culpa, arrependimento e o resto. Você pode reformular as coisas que o atormentam, reduzi-las para que não sejam muito mais do que aborrecimentos ocasionais. Emoções como culpa e arrependimento muitas vezes são a maneira do nosso cérebro nos distrair da angústia da pura tristeza.
A tristeza que, no início, parece insuportável.
Enfrentando a tristeza
Tentamos fugir da tristeza e podemos até ter sucesso por um tempo. Viajar, distrair-se no trabalho, cada um se ajeita como pode para adiar a vinda do inevitável. E ela volta, o que não pode ser confundida com a depressão.
Enfrentar a tristeza é sinônimo de passar por ela, feito que nada contra as ondas até a calmaria.
Tristeza x Depressão
A tristeza é diferente da depressão, pois é uma reação natural a uma perda. Ao contrário da depressão, que pode ser paralisante, ficar triste não paralisa ou torna-se disfuncional à sua vida, porém a acompanha.
A tristeza às vezes surge trazendo angústia ou lágrimas, mas não é o obstáculo obscuro para o pleno funcionamento que a depressão pode ser. Pode se transformar em depressão, daí que saber diferenciar os dois casos pode ser o diferencial entre o luto normal e o sombrio.
A tristeza não é, na maior parte, destrutiva; é simplesmente parte da vida e percorre qyase todas as sete fases do luto.
Apenas Tristeza
A tristeza é silenciosa, introvertida. Não abre um buraco no seu peito como o desespero nem faz você segurar a cabeça como a culpa. Espera por momentos de silêncio para entrar e cutucar-nos para que as lágrimas brotem em nossos olhos ou sintamos dor no peito,que é a forma comum de expressão corporal que o triste manifesta.
Pode vir em forma de lágrimas, sem violênncia, sem tortura, acompanhada de lamento e ansiedade.
Companheiros inseparáveis
A tristeza é inseparável do luto. Em grupos de apoio ou na internet sempre há pessoas em busca do segredo de se sentir melhor, para explicar como escapar da tristeza associada à perda. Não há como.
Sim, podemos nos sentir melhor e pior a cada dia – até mesmo a cada minuto – mas não há nada que possamos fazer para evitar ou reprimir a tristeza completamente. Não de forma saudável, pelo menos. Enfrentar é parte da cura, para que não se torne luto prolongado.
Tristeza, luto e amor
Uma das estranhezas do luto é que, por mais dolorosa que seja, podemos temer o dia em que não a sentiremos mais. Isso significa que esquecemos? Ou que não nos importamos mais com quem se foi? Claro que não, mas o medo é suficiente para nos fazer apegar ao luto às vezes, agarrá-lo com força porque é, à sua maneira, uma conexão contínua com quem perdemos.
As pessoas costumam dizer aos enlutados: "Seu ente querido não gostaria que você estivesse triste." Não é verdade, do ponto de vista científico.
Nossos entes queridos não gostariam que desistíssemos de buscar alegria, felicidade,aviver bem. E se fosse o oposto. Fôssemos nós que teríamos ido, eles não se sentiriam da mesma forma, não seria válido?
Não há chance de esquecermos nossos entes queridos. Sempre nos importaremos. E provavelmente ouviremos aquela sinfonia melancólica pelo resto de nossas vidas. Às vezes, ele flutuará na superfície de nossa consciência, lembrando-nos da perda, outras vezes apenas tocará baixinho ao fundo. Acho que devemos aprender a aceitá-lo e até mesmo abraçá-lo.
Não se luta com a tristeza, ao contrário da angústia das outras emoções. Pode remeter a amor. Quando ela nos domina, permitir-se senti-la por completo é o melhor dos caminhos. Às vezes, traz lágrimas, às vezes apenas aquela dor no peito, mas é sempre um momento para sentir tudo o que se sentiu por quem amamos e partiu. É quem foi presente, de outra maneira. Triste, porém existente.